Há poucos dias uma rotina do consultório, exame e emissão de laudo sobre as competências visuais de um cliente, despertou-me uma série de considerações sobre nossa capacidade de perceber nossas aptidões sensoriais no cotidiano e até que ponto elas nos são úteis.
O cliente em questão era candidato a EPCAR – curso de excelência do ministério de defesa para formação de cadetes – e futuro aviador. Dada às aptidões que um piloto deve possuir, é compreensível o nível de exigência cobrado dos candidatos.
Realizados os testes de praxe; de acuidade visual; passamos por outros que analisamos a saúde e a fisiologia do globo ocular e chegamos aos que determinam o quão harmonioso nossos dois olhos interagem para dos fornecer a Visão Binocular.
A perfeita integração da imagem que chega aos dois olhos deve inicialmente possuir uma qualidade mínima que permita; aos centros corticais que recebem os potenciais de ação gerados nos fotorreceptores da retina; a percepção de uma imagem única.
Imperfeição nos meios por onde a luz passa – córnea; cristalino; humor aquoso; vítreo e retina – podem impedir que a imagem se forme de acordo com o modo que o cérebro aprendeu a perceber a realidade.
Se uma imagem nítida fez parte desse aprendizado; desde os primeiros meses de vida; estimulando simetricamente as células da retina dos dois olhos; gerando vias facilitadoras ao escoamento da informação – sinapses – entre as células da via óptica até seu centro cortical; estas serão o padrão de referência para ativação adequada do sistema.
Em outras palavras – inconscientemente nos recebemos uma imagem nítida de um olho e uma imagem igualmente nítida de outro olho e realização a sobreposição ou interpretação de uma única imagem. Esse fenômeno é chamado de reflexo de fusão.
Espera-se que imperfeições dos meios como as ametropias – hipermetropias, astigmatismo; miopias – estejam adequadamente corrigidas ou compensadas por esforço do seu portador; para que essa integração ocorra.
Outro requisito importante à fusão das imagens e o alinhamento adequado dos olhos para que a imagem do objeto de atenção possa ser a mesma a chegar a ambas as retinas. Se um olho estiver alinhado com o eixo visual e o outro adotar qualquer outra posição que não seja esta, duas imagens diferentes chegarão à retina. Isso provoca, de acordo com o grau de desvio, sintomas desconfortáveis, o principal deles e a percepção de imagens duplicadas - a diplopia.
Isso ocorre porque existe uma correspondência entre grupamentos de fotorreceptores de um olho que funcionam em correspondência espacial com grupamentos de outro olho. Imagens que chegam aos olhos estimulam grupamentos posicionados na mesma região. Depois de estimuladas; ás células fotorreceptoras enviam seus potenciais de ação de forma a representar essa projeção espacial até o córtex occipital área responsável pelo processamento visual e integração com outros centros cognitivos.
Para entender melhor a correspondência retiniana; imagine que sempre que você quisesse telefonar para um amigo ou parente, você estabelecesse certas regras para iniciar a comunicação que lhe permitisse saber exatamente o posicionamento de seu interlocutor, com ambos virados para o sul, sentados em seu quarto no terceiro andar do seu prédio, que fica no mesmo nível do mar; com ambos vestindo vermelho; etc.
Essas informações permitem que as imagens que chegam ao cérebro carreguem não só características de luminosidade; cor; tamanho; mas igualmente seja uma representação posicional do ambiente. Mas ainda, se objetos de movem no campo visual. Isso só é possível diante de uma citoarquitetura hierarquicamente projetada até o cérebro.
Então, antes de voltar ao nosso candidato a piloto, vamos complicar mais um pouco. Imagine que você observa um ponto no espaço. Seus olhos estão alinhados e você o percebe como único. Uma linha imaginária passa por esse ponto e chega a um grupo celular da sua retina. Outra linha liga esse ponto a grupos celulares correspondentes da outra retina. Ambas as linhas se encontram neste ponto, mas devido à separação entre os olhos, essas linhas se cruzarão neste ponto. Na realidade, se nesse momento você olhar para sua sala de estar e não estiver vendo coisas duplicadas e porque para cada ponto que olhas, essas linhas se cruzam.
Você já percebeu que para qualquer ponto que olhar esse ponto único está lá. Agora imagine a união de todos esses pontos formando um plano, na verdade formando uma superfície imaginária tridimensional onde todos os pontos são percebidos como único – esse plano no espaço se chama horóptero.
Uma nuvem de pontos no espaço está ao redor do horóptero e também são percebidos como únicos. Essa região do espaço é chamada de área de Panun, a diferença que essa região fornece a sensação de visão única.
Agora realize o seguinte experimento. Pegue um lápis e estique seu braço de modo que o lápis fique na vertical. Do mesmo modo com a mão esquerda pegue outro lápis e deixe-o a meia distância entre o da mão direita, mas no mesmo eixo de visão e tente sobrepor-los. Você instintivamente tenta fechar um dos olhos. Com os dois olhos abertos você percebera um deles sempre duplo. Essa e a diplopia fisiológica e estimula áreas não correspondes, mas muito próximas.
Esse fenômeno permite a sensação de posição relativa de objetos no espaço através da visão binocular. O experimento acima é um teste grosseiro da capacidade estereoscópica, mas outros mais sofisticados podem avaliar melhor essa função.
É compreensível a cobrança de níveis elevados de integridade visual e harmonia entre os olhos para os futuros aviadores. A diferença entre ter ou não essas habilidades pode ser crucial num momento de crise e na tomada de decisão.
Para saber mais:
1) MOGO, S. Intrdução a Introdução ao estudo da visão binocular - Análise Optométrica Departamento de Física Universidade da Beira Interior. 2007 / 08
Bibliografia:
1) NOORDEN, Gunter K von. Binocular Vision and Ocular Motility - Theory and Management of Strabismus. fifth edition, Mosby, Houston, Texas, 1995
domingo, 1 de novembro de 2009
Considerações Importantes
Uma das propostas deste diário, além de uma pretensão de divulgação científica, a compreensão dos fenômenos presenciados pela sociedade com as ferramentas científicas que dispomos traduzidas pela pesquisa de referências que dão sustentação as nossas opiniões.
Um formalismo natural em respeito ao leitor; sem evitar a subjetividade e a impessoalidade que eliminaria por completo minha vontade de escrever.
Faço essas considerações num momento que tento aumentar minhas postagens que se apresentam com um espaço de tempo excesso e alheio a minha vontade.
Esse diário é um passatempo é aqueles que porventura honrarem-me com seu precioso tempo, espero oferecer-lhes informação com segurança e a devida possibilidade de contestação de minhas opiniões.
Agradeço sua visita.
Um formalismo natural em respeito ao leitor; sem evitar a subjetividade e a impessoalidade que eliminaria por completo minha vontade de escrever.
Faço essas considerações num momento que tento aumentar minhas postagens que se apresentam com um espaço de tempo excesso e alheio a minha vontade.
Esse diário é um passatempo é aqueles que porventura honrarem-me com seu precioso tempo, espero oferecer-lhes informação com segurança e a devida possibilidade de contestação de minhas opiniões.
Agradeço sua visita.
domingo, 4 de janeiro de 2009
Stephen Hawking; sua cadeira de roda movida a eletricidade e seu sintetizador de voz.
Quando achamos a matemática e a física teórica muito difíceis,
voltamo-nos para o misticismo. Stephem Hawking
Uma das maiores mentes de nossa época no campo da física teórica e cosmologia sofre de uma doença degenerativa que o impede de movimentar quase todos os músculos do corpo; com pouquíssimas exceções para os da face e olhos. A doença é a esclerose lateral amiotrófica, afeta os neurônios responsáveis pelo controle dos músculos e que ainda não possui cura.
Stephen Willian Hawking ocupa a cátedra de professor lucasiano de Matemática da Universidade de Oxford, que já pertenceu a Newton; em seu livro – O universo numa casca de noz – brinca com a forma que ocupa essa cadeira; demonstrando seu grande senso de humor mesmo diante das dificuldades que enfrenta.
Em cosmologia, contribuiu com explicações de como o universo de se expandiu nos primeiros momentos do Big Bang - com a Teoria Inflacionária - proposta pelo físico Alan Guth; bem como o desenvolvimento teórico em torno dos buracos negros e outras propostas estendidas à Teoria das Cordas – a teoria candidata a unificar a mecânica quântica com a teoria geral da relatividade. Todas essas contribuições são resultados do desenvolvimento dos Teoremas da Singularidade, trabalhando junto com Roger Penrose diante de problemas matemáticos surgidos com a relatividade geral e o espaço-tempo.
Em sua extensa agenda; o professor Hawking encontra tempo para divulgação científica; fazendo-o em grande estilo. Já participou de um episódio de Star Treck TNG, onde na forma de um holograma joga poker com Newton ; Einstein e o personagem Data. Autorizou sua participação em desenhos animados. Já gravou sua voz sintetizada com o Pink Floyd – The Division Bell. Neste vídeo; participa de um debate com Carl Sagan e Arthur C. Clark.
A figura do professor Hawking chegou até nos; admiradores da ciência; vinculada ao seu problema físico, certamente o oposto entre os físicos teóricos e cosmologistas, que já conheciam seu trabalho. De certo modo, sua contribuição maior é de tornar acessível uma das áreas do conhecimento que despertam maior interesse por tratar de nossa existência e a origem do universo; com a elegância de traduzir suas formulações e teorias com mesmo desafio que tem para superar sua doença.
Para saber mais:
1 – Site Oficial do Professor Hawking
2 – Associação dos portadores da Doença do Neurônio Motor
3 – De rerum Natura : sobre as natureza das coisas: Excelente blog com um texto que recomendo
4 – Observatório Nacional: Novas teorias sobre o universo. Texto dentro do curso a distância de cosmologia do ON com apoio do CNPq
Agradecimentos:
1- You Tube
2- Wikipedia
voltamo-nos para o misticismo. Stephem Hawking
Uma das maiores mentes de nossa época no campo da física teórica e cosmologia sofre de uma doença degenerativa que o impede de movimentar quase todos os músculos do corpo; com pouquíssimas exceções para os da face e olhos. A doença é a esclerose lateral amiotrófica, afeta os neurônios responsáveis pelo controle dos músculos e que ainda não possui cura.
Stephen Willian Hawking ocupa a cátedra de professor lucasiano de Matemática da Universidade de Oxford, que já pertenceu a Newton; em seu livro – O universo numa casca de noz – brinca com a forma que ocupa essa cadeira; demonstrando seu grande senso de humor mesmo diante das dificuldades que enfrenta.
Em cosmologia, contribuiu com explicações de como o universo de se expandiu nos primeiros momentos do Big Bang - com a Teoria Inflacionária - proposta pelo físico Alan Guth; bem como o desenvolvimento teórico em torno dos buracos negros e outras propostas estendidas à Teoria das Cordas – a teoria candidata a unificar a mecânica quântica com a teoria geral da relatividade. Todas essas contribuições são resultados do desenvolvimento dos Teoremas da Singularidade, trabalhando junto com Roger Penrose diante de problemas matemáticos surgidos com a relatividade geral e o espaço-tempo.
Em sua extensa agenda; o professor Hawking encontra tempo para divulgação científica; fazendo-o em grande estilo. Já participou de um episódio de Star Treck TNG, onde na forma de um holograma joga poker com Newton ; Einstein e o personagem Data. Autorizou sua participação em desenhos animados. Já gravou sua voz sintetizada com o Pink Floyd – The Division Bell. Neste vídeo; participa de um debate com Carl Sagan e Arthur C. Clark.
A figura do professor Hawking chegou até nos; admiradores da ciência; vinculada ao seu problema físico, certamente o oposto entre os físicos teóricos e cosmologistas, que já conheciam seu trabalho. De certo modo, sua contribuição maior é de tornar acessível uma das áreas do conhecimento que despertam maior interesse por tratar de nossa existência e a origem do universo; com a elegância de traduzir suas formulações e teorias com mesmo desafio que tem para superar sua doença.
Para saber mais:
1 – Site Oficial do Professor Hawking
2 – Associação dos portadores da Doença do Neurônio Motor
3 – De rerum Natura : sobre as natureza das coisas: Excelente blog com um texto que recomendo
4 – Observatório Nacional: Novas teorias sobre o universo. Texto dentro do curso a distância de cosmologia do ON com apoio do CNPq
Agradecimentos:
1- You Tube
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terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Fim de Ano e Calendário Biológico
"Claro que o tempo é algo real, a saber, a forma real da intuição interna" - Immanuel Kant, Crítica da Razão Pura
Estamos numa época do ano; quando quase todos são tomados por reflexões sobre o tempo e com elas a sensação subjetiva de que terminamos um período e começamos outro; de alguma forma parece afetar igualmente corpo. Queixas de fadiga e necessidade de tirar férias; descansar por mais tempo; bem como uma noção de cuidar mais do corpo.
Serão essas queixas uma resposta aos marcos do tempo? Há substratos significativos na natureza, capazes de alterar a regulagem interna para ciclos num “calendário biológico”?
Recordamos que em sua trajetória no espaço ao redor do sol, nosso planeta cumpre uma trajetória elíptica - não tão acentuada como os planetas mais externos como júpiter, saturno e urano - o suficiente para termos dois momentos distintos; chamados de afélio e periélio, segundo as leis de Kepler.
O afélio terrestre ocorre em 4 de julho, quando estamos a 152,1 milhões de quilômetros do sol. Já no próximo dia 5 de janeiro estaremos mais próximo do sol – o periélio – a 147,1 milhões de quilômetros. Um diferença de aproximadamente de cinco milhões de quilômetros. Certamente uma diferença pequena em termos astronômicos para causar influencia na homeostasia dos seres vivos por maiores efeitos da gravidade1. Essa “simetria” orbital certamente contribuiu para presença de vida no planeta diante da estabilidade proporcionada por uma distância quase constante ao redor do sol. Condições extremas, como ocorrem com os planetas externos; não permitiriam a vida da forma como conhecemos.
Uma outra condição que poderia afetar nosso ritmo biológico e a diferença no dia solar de 24 horas. Ocorre variação na duração do dia ao longo do ano. Quando estamos no afélio, a velocidade angular do sol em sua trajetória na eclíptica (circunferência imaginária da trajetória do sol na esfera celeste) é maior, resultando numa variação que pode chegar até 15 minutos. Dias com variações poderiam não ser convenientes para marcar o tempo e por isso os astrônomos adotam o chamado sol médio2, com duração de 24 horas.
Os dias seriam mais curtos nessa época do ano, mas será que o suficiente o bastante para alterar nossos sentidos?
É conhecida a nossa capacidade de regular nosso relógio interno diante de variações como mudanças de fuso horário, por alterações no ritmo de sono/vigília, regulado por sinais externos de claro/escuro; conhecido como ciclo circadiano. O desconforto inicial se dá até o momento em que os hormônios produzidos nos ciclos normais; como o hormônio do crescimento; melatonina e cortisol cumprem seu papel de regular nosso “relógio interno” 3 . Trabalhos realizados em seres humanos em isolamento em cavernas encontraram ciclos de 24,2 a 25 horas. A Cronobiologia é responsável por estudos nessa área.
Certamente encontramos nessa época do ano várias alterações nos marcos do tempo que poderiam afetar nossos afetar nossos calendários e relógios biológicos, mas nossas respostas internas são suficientes para manter-nos em equilíbrio homeostático e é pouco provável que as sensações que percebemos não sejam mais que intuitivas.
Desejo um ano novo de projetos; propósitos e realizações para todos os visitantes do blogue.
Para saber mais:
1 A imponderabilidade e o corpo humano
2 Tempo e Calendário
3 ONTOGÊNESE DO SISTEMA DE TEMPORIZAÇÃO
Estamos numa época do ano; quando quase todos são tomados por reflexões sobre o tempo e com elas a sensação subjetiva de que terminamos um período e começamos outro; de alguma forma parece afetar igualmente corpo. Queixas de fadiga e necessidade de tirar férias; descansar por mais tempo; bem como uma noção de cuidar mais do corpo.
Serão essas queixas uma resposta aos marcos do tempo? Há substratos significativos na natureza, capazes de alterar a regulagem interna para ciclos num “calendário biológico”?
Recordamos que em sua trajetória no espaço ao redor do sol, nosso planeta cumpre uma trajetória elíptica - não tão acentuada como os planetas mais externos como júpiter, saturno e urano - o suficiente para termos dois momentos distintos; chamados de afélio e periélio, segundo as leis de Kepler.
O afélio terrestre ocorre em 4 de julho, quando estamos a 152,1 milhões de quilômetros do sol. Já no próximo dia 5 de janeiro estaremos mais próximo do sol – o periélio – a 147,1 milhões de quilômetros. Um diferença de aproximadamente de cinco milhões de quilômetros. Certamente uma diferença pequena em termos astronômicos para causar influencia na homeostasia dos seres vivos por maiores efeitos da gravidade1. Essa “simetria” orbital certamente contribuiu para presença de vida no planeta diante da estabilidade proporcionada por uma distância quase constante ao redor do sol. Condições extremas, como ocorrem com os planetas externos; não permitiriam a vida da forma como conhecemos.
Uma outra condição que poderia afetar nosso ritmo biológico e a diferença no dia solar de 24 horas. Ocorre variação na duração do dia ao longo do ano. Quando estamos no afélio, a velocidade angular do sol em sua trajetória na eclíptica (circunferência imaginária da trajetória do sol na esfera celeste) é maior, resultando numa variação que pode chegar até 15 minutos. Dias com variações poderiam não ser convenientes para marcar o tempo e por isso os astrônomos adotam o chamado sol médio2, com duração de 24 horas.
Os dias seriam mais curtos nessa época do ano, mas será que o suficiente o bastante para alterar nossos sentidos?
É conhecida a nossa capacidade de regular nosso relógio interno diante de variações como mudanças de fuso horário, por alterações no ritmo de sono/vigília, regulado por sinais externos de claro/escuro; conhecido como ciclo circadiano. O desconforto inicial se dá até o momento em que os hormônios produzidos nos ciclos normais; como o hormônio do crescimento; melatonina e cortisol cumprem seu papel de regular nosso “relógio interno” 3 . Trabalhos realizados em seres humanos em isolamento em cavernas encontraram ciclos de 24,2 a 25 horas. A Cronobiologia é responsável por estudos nessa área.
Certamente encontramos nessa época do ano várias alterações nos marcos do tempo que poderiam afetar nossos afetar nossos calendários e relógios biológicos, mas nossas respostas internas são suficientes para manter-nos em equilíbrio homeostático e é pouco provável que as sensações que percebemos não sejam mais que intuitivas.
Desejo um ano novo de projetos; propósitos e realizações para todos os visitantes do blogue.
Para saber mais:
1 A imponderabilidade e o corpo humano
2 Tempo e Calendário
3 ONTOGÊNESE DO SISTEMA DE TEMPORIZAÇÃO
sábado, 1 de novembro de 2008
Reparos num Patrimônio de uma Humanidade em Crise
Reparos num Patrimônio de uma Humanidade em crise.
Esta semana volto a postar; com uma notícia que entusiasma qualquer amante da ciência.
Em meio à loucura que o mundo passa diante da crise dos mercados financeiros; o Nasa Hubble Space Telescope News – noticiou os reparos sofridos no telescópio espacial que o tornaram 90 vezes mais potente. Sua primeira demonstração de sucesso da missão comandada da terra foi o envio de uma foto de um evento celeste ocorrido há 430 anos luz da terra, que aparenta ser resultado da interação de duas galáxias.
Não se trata de mais uma foto espetacular do Hubble. Essa luz captada é o que diria Carl Sagan : "Uma luz na Escuridão."
Quando se imagina que esse órgão do governamental de um país que sua pior crise econômica da história, ainda é capaz de gerir seus programas com perfeição.
A Nasa foi criada na guerra fria e no impulso da corrida espacial frente a URSS e hoje não só mantêm os EUA na dianteira da tecnologia espacial. É um patrimônio da humanidade junto das descobertas de seu mais conhecido telescopio espacial, que nos da esperança na manutenção dos ideais de liberdade do pensamento que caminham ao lado do conhecimento científico.
Os resultados de uma recessão mundial assustam aqueles que dependem de verbas para custear suas pesquisas e os cortes virão em todas as áreas. Entre salvar bancos ou laboratórios de pesquisa da falência qual será a opção dos governos? O atraso ou o futuro?
Acredito que a ciência pode dar uma resposta a essa cultura do medo que atinge seu mais alto grau na história recente. Ou então, o obscurantismo político gerado por outras crises, como a de 1929 e a Segunda Guerra Mundial podem tomar o lugar da razão e da sensatez.
Comemoremos então esse feito. Que o Telescópio Hubble tenha muitos anos de vida e seja um patrimônio da humanidade.
Esta semana volto a postar; com uma notícia que entusiasma qualquer amante da ciência.
Em meio à loucura que o mundo passa diante da crise dos mercados financeiros; o Nasa Hubble Space Telescope News – noticiou os reparos sofridos no telescópio espacial que o tornaram 90 vezes mais potente. Sua primeira demonstração de sucesso da missão comandada da terra foi o envio de uma foto de um evento celeste ocorrido há 430 anos luz da terra, que aparenta ser resultado da interação de duas galáxias.
Não se trata de mais uma foto espetacular do Hubble. Essa luz captada é o que diria Carl Sagan : "Uma luz na Escuridão."
Quando se imagina que esse órgão do governamental de um país que sua pior crise econômica da história, ainda é capaz de gerir seus programas com perfeição.
A Nasa foi criada na guerra fria e no impulso da corrida espacial frente a URSS e hoje não só mantêm os EUA na dianteira da tecnologia espacial. É um patrimônio da humanidade junto das descobertas de seu mais conhecido telescopio espacial, que nos da esperança na manutenção dos ideais de liberdade do pensamento que caminham ao lado do conhecimento científico.
Os resultados de uma recessão mundial assustam aqueles que dependem de verbas para custear suas pesquisas e os cortes virão em todas as áreas. Entre salvar bancos ou laboratórios de pesquisa da falência qual será a opção dos governos? O atraso ou o futuro?
Acredito que a ciência pode dar uma resposta a essa cultura do medo que atinge seu mais alto grau na história recente. Ou então, o obscurantismo político gerado por outras crises, como a de 1929 e a Segunda Guerra Mundial podem tomar o lugar da razão e da sensatez.
Comemoremos então esse feito. Que o Telescópio Hubble tenha muitos anos de vida e seja um patrimônio da humanidade.
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Efeito Doppler e uma História de Superação
Com o titulo – Uma História de Superação – o programa Fantástico, mostrou uma reportagem interessante de um rapaz cego que “enxergava” graças a uma habilidade desenvolvida, após o início de sua doença.
A doença em questão é o retinoblastoma; um raro tumor na retina, parte nervosa dos olhos responsável pela detecção de luz e cores. Ocorre em todas as idades, mas é mais comum na infância e mais raramente afetando os dois olhos; como aconteceu com Ben Underwood. O retinoblastoma afeta 1 em cada 15.000 a 20.000 nascidos vivos e 250 crianças são diagnósticas por ano nos EUA. Representa 3 por cento de todos os cânceres em menores de 15 anos. Está relacionado a uma mutação no gene RB1, localizado no cromossomo 13. Este gen impede o crescimento desordenado das células da retina. Alterações no cromossaoma 13 como deleções de uma parte que contem o gene, muitas delas na região 13q14, resultam na formação de tumores. Mutações do gene RB1 são herdadas de forma autossômica dominante. Se uma pessoa desenvolveu retinoblastoma em ambos os olhos, provavelmente um gen RB1 mutante estará presente em todas as suas células, inclusive óvulos e espermatozóides; podendo transmitir a doença a seus progenitores.
O outro lado da história de Ben demonstra como a natureza encontra às vezes um caminho surpreendente. Suponho que num determinado momento de sua infância de cego, Ben percebeu que quando fazia ruídos com a boca, algo acontecia com o som percebido por seus ouvidos, mais ainda; diferentes tonalidades emitidas podiam ser ouvidas de forma diferente e representavam um padrão. Instintivamente e inconscientemente o som trazia uma informação tridimensional do ambiente.
Johann Christian Andreas Doppler (29 de Novembro de 1803, Salzburgo – 17 de Março de 1853, Veneza), ajudou-nos a entender o que se passa com o rapaz que enxerga o som. Efeito Doppler descoberto pelo físico-matemático vienense, é uma característica das ondas emitidas ou refletidas por um objeto em movimento com relação ao observador. Ele pode ser compreendido pelo efeito sonoro emitido por um corpo em movimento. Ao se aproximar o som é mais agudo e ao se afastar,o som gradativamente vai se tornando mais grave. Alguns mamíferos como os golfinhos, utilizam o efeito para localizar inimigos e presas, no mar chamado de sonar.
Ben pode ter desenvolvido todo um complexo de emissão de ondas ultra-sônicas e percepção cronometrada do retorno do som, capaz de localizar objetos e até mesmo a percepção de formas. Certamente o caso Underwood merece estudos, embora referencias a estes não foram citadas na reportagem. A ecolocalização poderia ser uma alternativa para ajudar a locomoção de cegos e já há pesquisas no tema. É interessante notar que a semelhança dos golfinhos, Ben possui sua região frontal proeminente e pode estar aí a sua câmara de eco. Uma história de superação é uma verdadeira aula de ciência.
Para saber mais:
http://ghr.nlm.nih.gov/condition=retinoblastoma
http://www.biosonar.bris.ac.uk/
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM820807-7823-UMA+HISTORIA+DE+SUPERACAO,00.html
http://super.abril.com.br/revista/241/materia_revista_241276.shtml?pagina=2
http://www.biosonar.bris.ac.uk/whatis.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ecolocaliza%C3%A7%C3%A3o
http://www.retinoblastoma.net/
http://www.inca.gov.br/releases/press_release_view.asp?ID=1128
A doença em questão é o retinoblastoma; um raro tumor na retina, parte nervosa dos olhos responsável pela detecção de luz e cores. Ocorre em todas as idades, mas é mais comum na infância e mais raramente afetando os dois olhos; como aconteceu com Ben Underwood. O retinoblastoma afeta 1 em cada 15.000 a 20.000 nascidos vivos e 250 crianças são diagnósticas por ano nos EUA. Representa 3 por cento de todos os cânceres em menores de 15 anos. Está relacionado a uma mutação no gene RB1, localizado no cromossomo 13. Este gen impede o crescimento desordenado das células da retina. Alterações no cromossaoma 13 como deleções de uma parte que contem o gene, muitas delas na região 13q14, resultam na formação de tumores. Mutações do gene RB1 são herdadas de forma autossômica dominante. Se uma pessoa desenvolveu retinoblastoma em ambos os olhos, provavelmente um gen RB1 mutante estará presente em todas as suas células, inclusive óvulos e espermatozóides; podendo transmitir a doença a seus progenitores.
O outro lado da história de Ben demonstra como a natureza encontra às vezes um caminho surpreendente. Suponho que num determinado momento de sua infância de cego, Ben percebeu que quando fazia ruídos com a boca, algo acontecia com o som percebido por seus ouvidos, mais ainda; diferentes tonalidades emitidas podiam ser ouvidas de forma diferente e representavam um padrão. Instintivamente e inconscientemente o som trazia uma informação tridimensional do ambiente.
Johann Christian Andreas Doppler (29 de Novembro de 1803, Salzburgo – 17 de Março de 1853, Veneza), ajudou-nos a entender o que se passa com o rapaz que enxerga o som. Efeito Doppler descoberto pelo físico-matemático vienense, é uma característica das ondas emitidas ou refletidas por um objeto em movimento com relação ao observador. Ele pode ser compreendido pelo efeito sonoro emitido por um corpo em movimento. Ao se aproximar o som é mais agudo e ao se afastar,o som gradativamente vai se tornando mais grave. Alguns mamíferos como os golfinhos, utilizam o efeito para localizar inimigos e presas, no mar chamado de sonar.
Ben pode ter desenvolvido todo um complexo de emissão de ondas ultra-sônicas e percepção cronometrada do retorno do som, capaz de localizar objetos e até mesmo a percepção de formas. Certamente o caso Underwood merece estudos, embora referencias a estes não foram citadas na reportagem. A ecolocalização poderia ser uma alternativa para ajudar a locomoção de cegos e já há pesquisas no tema. É interessante notar que a semelhança dos golfinhos, Ben possui sua região frontal proeminente e pode estar aí a sua câmara de eco. Uma história de superação é uma verdadeira aula de ciência.
Para saber mais:
http://ghr.nlm.nih.gov/condition=retinoblastoma
http://www.biosonar.bris.ac.uk/
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM820807-7823-UMA+HISTORIA+DE+SUPERACAO,00.html
http://super.abril.com.br/revista/241/materia_revista_241276.shtml?pagina=2
http://www.biosonar.bris.ac.uk/whatis.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ecolocaliza%C3%A7%C3%A3o
http://www.retinoblastoma.net/
http://www.inca.gov.br/releases/press_release_view.asp?ID=1128
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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Células adultas já podem substituir células tronco embrionárias?
Em artigo publicado este mês na revista Science com o título: “A Seismic Shift for Stem Cell Research”; (1) informa que apesar do avanço conquistado com pesquisas de células tronco originárias de células de pele, os cientistas ainda necessitam utilizar as células tronco embrionárias para suas pesquisas. Escrevem Constance Holden e Gratchen Vogel para Science.
Há um ano cientistas trabalhando em dois grupos; um nos EUA e outro no Japão publicaram os primeiros resultados do que poderia ser a solução de várias questões éticas que envolvem a pesquisa com células tronco embrionárias. (2)
Através de duas técnicas distintas; uma em que se transfere clones de células da pele para o interior de óvulos enucleados - chamada de somatic cell nuclear transfer (SCNT) – grupos do EUA e Japão obtiveram células embrionárias. Um segundo grupo no EUA (Grupo de Harvard) obteve células embrionárias (pluripotenciais apenas) através da introdução de material genético carreado por retrovírus (transfecção) nas células de pele. Esta técnica foi chamada de células tronco pluripotenciais induzidas (iPS)
Aparentemente os problemas bioéticos (3) e religiosos estariam resolvidos, pois assim não seria necessária a utilização e produção de embriões, uma vez que essas células tronco apresentariam comportamento embrionário, ou seja, podem ser replicadas e diferenciadas em tecidos. Os grupos contrários logo se apresaram em comemorar o que poderia ser considerado uma – vitória da moral – afirmando que a discussão acabou.
Entretanto, o artigo alerta para a cautela quanto à utilização das células induzidas por retrovírus e sua segurança em seres humanos. A outra questão é quanto à potencialidade dessas células quando comparadas com as derivadas de embriões. “Para validar as células iPS, cientistas devem fazer enorme esforço (numerosos) ...de muitas diferentes populações e compara-las numa bateria de testes com células tronco embrionárias humanas” Destaca o artigo a declaração de Kevin Eggan da Universidade de Harvard.
Pode-se observar que diante das restrições as pesquisas com impedimentos legais e restrição de verbas; as alternativas criadas pela ciência - mesmo que aceitáveis do ponto de vista ético-moral - podem não ser tão efetivas; criar atraso na pesquisa com técnicas comprovadamente promissoras (6) e criar caminhos para novas técnicas com segurança questionável.
Luiz Cláudio - médico
Referencias:
1) A Seismic Shift for Stem Cell Research: Constance Holden and Gretchen Vogel; Science 1 February 2008: Vol. 319. no. 5863, pp. 560 – 563 DOI: 10.1126/science.319.5863.560
2) Cientistas produzem célula-tronco embrionária sem embriões http://br.reuters.com/article/topNews/idBRB24679120071121
3) Pesquisa com células tronco: José Roberto Goldin http://www.bioetica.ufrgs.br/celtron.htm
4) Vídeo educativo em português sobre células tronco: http://www.youtube.com/watch?v=pTrwVJ7ctFQ
5) Página informativa do governo do estado do Rio: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/biologia/bio10a.htm
6) Muscular Dystrophy in Mice Treated with Muscle from Mouse Embryonic Stem Cells: Nature advance online publication, laboratory of R.C.R. Perlingeiro. 2008 Jan 20
Há um ano cientistas trabalhando em dois grupos; um nos EUA e outro no Japão publicaram os primeiros resultados do que poderia ser a solução de várias questões éticas que envolvem a pesquisa com células tronco embrionárias. (2)
Através de duas técnicas distintas; uma em que se transfere clones de células da pele para o interior de óvulos enucleados - chamada de somatic cell nuclear transfer (SCNT) – grupos do EUA e Japão obtiveram células embrionárias. Um segundo grupo no EUA (Grupo de Harvard) obteve células embrionárias (pluripotenciais apenas) através da introdução de material genético carreado por retrovírus (transfecção) nas células de pele. Esta técnica foi chamada de células tronco pluripotenciais induzidas (iPS)
Aparentemente os problemas bioéticos (3) e religiosos estariam resolvidos, pois assim não seria necessária a utilização e produção de embriões, uma vez que essas células tronco apresentariam comportamento embrionário, ou seja, podem ser replicadas e diferenciadas em tecidos. Os grupos contrários logo se apresaram em comemorar o que poderia ser considerado uma – vitória da moral – afirmando que a discussão acabou.
Entretanto, o artigo alerta para a cautela quanto à utilização das células induzidas por retrovírus e sua segurança em seres humanos. A outra questão é quanto à potencialidade dessas células quando comparadas com as derivadas de embriões. “Para validar as células iPS, cientistas devem fazer enorme esforço (numerosos) ...de muitas diferentes populações e compara-las numa bateria de testes com células tronco embrionárias humanas” Destaca o artigo a declaração de Kevin Eggan da Universidade de Harvard.
Pode-se observar que diante das restrições as pesquisas com impedimentos legais e restrição de verbas; as alternativas criadas pela ciência - mesmo que aceitáveis do ponto de vista ético-moral - podem não ser tão efetivas; criar atraso na pesquisa com técnicas comprovadamente promissoras (6) e criar caminhos para novas técnicas com segurança questionável.
Luiz Cláudio - médico
Referencias:
1) A Seismic Shift for Stem Cell Research: Constance Holden and Gretchen Vogel; Science 1 February 2008: Vol. 319. no. 5863, pp. 560 – 563 DOI: 10.1126/science.319.5863.560
2) Cientistas produzem célula-tronco embrionária sem embriões http://br.reuters.com/article/topNews/idBRB24679120071121
3) Pesquisa com células tronco: José Roberto Goldin http://www.bioetica.ufrgs.br/celtron.htm
4) Vídeo educativo em português sobre células tronco: http://www.youtube.com/watch?v=pTrwVJ7ctFQ
5) Página informativa do governo do estado do Rio: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/biologia/bio10a.htm
6) Muscular Dystrophy in Mice Treated with Muscle from Mouse Embryonic Stem Cells: Nature advance online publication, laboratory of R.C.R. Perlingeiro. 2008 Jan 20
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